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PEDRINHA

ARQUITETURA // CASAS

São Roque / São Paulo // Brasil

Área 318,5m2
Status Construção prevista para 2020

O centro do projeto Pedrinha foi o design de uma casa, em um condomínio próximo à São Paulo, na região das vinícolas na cidade de São Roque, com um briefing específico. Um dos membros da família sofre de depressão e mobilidade reduzida (não cadeirante), e o projeto deveria não apenas contemplar suas necessidades e restrições com um design acessível, mas também um design que investigasse nos elementos de luz, contato com a natureza, escolha de materiais e cores, uma melhora em sua qualidade de vida. Aspectos dos estudos do impacto do ambiente construído sobre a qualidade de vida foram considerados, resultando em um design onde a escolha de cada material e mesmo a geometria da planta levam em conta a forma como nosso cérebro nos ancora no espaço, e nos orienta, para criar um espaço ao mesmo tempo aberto e acolhedor.

A planta resultante portanto, se vira de costas aos vizinhos imediatos, focando todas as vistas em direção ao lado oposto do vale onde o sítio se encontra, buscando a luz do por do sol por trás das montanhas. Esse gesto configura um pátio simples, com piso de tijolos, remetendo ao material usado para as paredes pela sua inércia térmica e isolamento acústico por massa, onde um rebaixamento no piso configura um fogo de chão para fogueiras e churrascos, e uma piscina de fundo infinito de onde se pode pular do quarto, ou sentar no parapeito da janela com os pés na água. A articulação entre o jardim que envolve a casa, com arborização generosa, e o pátio se dá por uma escada que desce, desaparecendo por trás da piscina e criando novos lugares de estar.

A envoltória do bloco em madeira, onde ficam os quartos e oficina e banheiros privados, é feita por uma paliçada vertical de Shou-Sugi Ban, uma técnica de madeira japonesa onde uma camada superficial de carbonização reduz a vulnerabilidade da madeira à pragas e aumenta seu isolamento térmico, enquanto cria uma textura única em cor negra que dá peso ao bloco construtivamente mais leve do conjunto.

Dentro da visão holística que a arquiteta possui sobre o ambiente construído, sobre essa pauta foram colocadas as pautas de sustentabilidade e melhor uso construtivo dos materiais. O uso extensivo de madeira se vale da alta sustentabilidade do material, seus atributos de captura de carbono, mas também, suas qualidades sensuais como cheiro, cor e textura, na composição de um envelope compreensivo e humano.

Trabalho Final de Graduação // FAUUSP 2018 | Orientação Fábio Mariz Gonçalves